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EXPANSÃO - Página Inicial

África

15 países africanos entre 25 enfrentam risco elevado de fome

WORLD VISION TENTA ARRECADAR 2 MIL MILHÕES USD

Os 2 mil milhões USD que a ONG tenta reunir visam ajudar 22 milhões de pessoas e são cinco vezes mais do que a ajuda mobilizada para a pandemia.

A ONG World Vision, o maior distribuidor de alimentos do Programa Mundial Alimentar das Nações Unidas, está a tentar angariar 2 mil milhões USD para ajudar 22 milhões de pessoas que enfrentam alto risco de fome em 25 países, 15 deles em África, uma quantia cinco vezes superior à que foi angariada para responder à Covid-19.

A organização estima que vai precisar de 109 milhões USD só para enfrentar a pior seca em quatro décadas no nordeste africano, conhecido como o Corno de África, 35,1 milhões dos quais destinam-se ao Quénia, como afirmou o presidente da organização, Edgar Sandoval, à Bloomberg. "Famílias e comunidades que já eram vulneráveis estão a ser pressionadas para além do que qualquer pessoa pode suportar sem mais apoio", frisou Sandoval, após uma visita ao norte do Quénia, a maior economia da África Oriental, e que sublinhou a importância da procura de "financiamento apropriado" dadas as "necessidades crescentes".

As 25 nações mais afectadas pela fome englobam 15 países africanos. Além do Quénia, estão neste grupo a Etiópia, a Somália, o Sudão e o Sudão do Sul. Fora de África, o programa da World Vision visa países como o Afeganistão, as Honduras e Myanmar. O agravamento da crise mundial alimentar levou a World Vision a expandir de 20 para 25 o número de países abrangidos.

"Os conflitos e os efeitos crescentes das alterações climáticas foram agravados pelos impactos económicos de dois anos de mortes, doenças, lockdowns e restrições de viagens da Covid- -19. Depois veio a guerra na Ucrânia no início de 2022, que agravou tudo e levou a aumentos nos preços dos combustíveis, fertilizantes e trigo", justifica a organização, com sede em Londres, que fechou o ano que terminou em Março com ajuda directa a 11,5 milhões de pessoas.

A actual crise alimentar pode "afectar mais os pobres urbanos do que aqueles que são agricultores", segundo a organização, que teme o impacto da agitação face aos picos de preços nas operações humanitárias. Esta segunda-feira, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, defendeu que as sanções contra a Rússia "não são responsáveis pelos elevados preços dos alimentos ou fertilizantes", mas admitiu que sejam alteradas, caso haja um "efeito indirecto" sobre os mercados. O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura está 23,1% acima do seu valor de há um ano.