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Opinião

Da guerra no Irão ao conteúdo local Angolano | Porque a inclusão é a verdadeira base da estabilidade

CONVIDADO

A verdadeira segurança nacional não começa nas fronteiras. Começa na legitimidade que uma população atribui ao sistema económico em que vive. E essa legitimidade depende, acima de tudo, da sua capacidade de participar na criação, retenção e distribuição da riqueza nacional.

No meu artigo anterior, O Combustível Invisível da Instabilidade, procurei demonstrar que a instabilidade social não surge espontaneamente. Tal como um incêndio necessita de combustível para se propagar, também a instabilidade necessita de condições estruturais que a alimentem. Defendi então que o verdadeiro combustível da instabilidade em Angola não reside apenas nas dificuldades económicas do momento, mas sobretudo na incapacidade do modelo econômico vigente de transformar a riqueza nacional em prosperidade amplamente partilhada.

O argumento central era simples: quando uma economia gera milhares de milhões de dólares, mas apenas uma pequena fracção desse valor permanece no país sob a forma de empregos, competências, empresas e conhecimento, cria-se uma desconexão crescente entre a riqueza produzida e a realidade vivida pela população. Essa desconexão corrói progressivamente a legitimidade do sistema económico e, consequentemente, a estabilidade social.

Neste artigo pretendo expandir essa reflexão para uma dimensão geoestratégica. Se no primeiro texto analisei a relação entre criação de riqueza e estabilidade interna, neste procurarei demonstrar que os mesmos princípios que determinam a estabilidade das nações também determinam a estabilidade das ordens internacionais.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão oferece um exemplo particularmente interessante desta realidade. À primeira vista, poderá parecer estranho estabelecer uma ligação entre um conflito no Médio Oriente e a política de conteúdo local em Angola.

Contudo, ambos os fenómenos são manifestações de uma mesma dinâmica histórica: a tensão permanente entre poder e legitimidade. Durante demasiado tempo, as análises geopolíticas concentraram-se quase exclusivamente na distribuição do poder militar, económico e tecnológico. Contudo, a história demonstra repetidamente que o poder, por si só, raramente garante estabilidade duradoura. Impérios, Estados e sistemas económicos prosperam não apenas porque possuem força, mas porque conseguem construir mecanismos de inclusão que tornam essa força legítima aos olhos daqueles que dela dependem.

É precisamente esta lente que pretendo utilizar.

Ao observar a forma como o Irão procura desafiar a influência americana, não me interessa tanto a dimensão militar do conflito. Interessa-me compreender por que razão uma potência regional relativamente limitada consegue impor custos crescentes à maior potência militar da história moderna. A resposta, como veremos, reside menos na capacidade de destruição e mais na questão da legitimidade. E é precisamente aqui que a ligação com Angola se torna evidente. Porque o verdadeiro desafio do conteúdo local nunca foi apenas económico. Foi sempre político. Foi sempre social. E, acima de tudo, foi sempre estratégico.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão oferece uma lição particularmente relevante para Angola. Embora os Estados Unidos mantinham uma superioridade militar esmagadora, o conflito demonstra uma realidade frequentemente ignorada: a força, por si só, não garante estabilidade. A estabilidade duradoura nasce da legitimidade. E a legitimidade nasce da inclusão. O Irão compreendeu uma verdade estratégica fundamental

*Christian Bin Issa, VP da Mesa de Assembleia - ASSEA

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