Exportação de talento
Angola deve permitir essa ajuda. Deveria haver um triângulo entre estas nações [Angola, Brasil e Portugal] que permitisse desenvolver a sério a educação desde a sua base. Não com programas temporários de investimento tímidos, mas sim um investimento prioritário dos 3 países no fortalecimento da educação em Angola.
Vivemos tempos agitados em várias geografias do nosso planeta. Continuamos com algo comum a todos, que é a Covid-19, sendo que alguns especialistas já dizem que estamos próximos de fazer a transição para uma fase endémica, o que poderá trazer alguma estabilidade a vários níveis e, acima de tudo, mais confiança para enfrentar o futuro. No entanto, vivemos todos expectantes com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que poderá culminar numa guerra que em nada augura de bom para os próximos tempos. Esperemos que não.
Este ano vai trazer 3 atos eleitorais em 3 diferentes países de língua portuguesa. Não sendo este espaço de cariz politico, importa referir que quando existem atos eleitorais nacionais de cariz executivo há sempre um forte impacto nas organizações e pessoas. Se em Angola é muito pouco provável que o MPLA perda as eleições, o que irá manter uma continuidade das políticas mantidas até agora, bem como das relações internacionais existentes, no Brasil e Portugal, a situação pode ser bem diferente.
O Brasil disputa o regresso ao passado ou a continuidade do presente. Será uma luta dura, mas mais ninguém além do povo brasileiro saberá o que escolher. A decisão do povo é sempre soberana, e o mundo deverá saber viver bem com isso. Ou pelo menos, respeitar. O que não tem feito. De qualquer forma, o Brasil é uma economia forte e com uma forte preponderância no mundo. Um país com mais de 200 milhões de habitantes e com empresas de referência em várias áreas de atuação, assim como muitos profissionais qualificados em diversos setores, desde o marketing até à tecnologia. É também um mercado exportador de talento, assim como Portugal. Angola, não.
Quando este artigo for publicado, já Portugal terá ido às urnas. Apesar de haver sempre um partido vencedor, o ano de 2015 trouxe algo de novo que mudou o paradigma político português.
Ou seja, não basta ganhar para liderar o governo. Os jogos políticos de bastidores (seja para que lado for) podem determinar quem irá liderar o futuro do país nos próximos 4 anos (ou menos). Mais uma vez, o povo será soberano na sua escolha. Uma coisa é certa. Portugal continuará a ser exportador de talento, mas também irá continuar a receber muitas empresas a abrirem os seus centros tecnológicos em Lisboa, Porto ou noutras cidades.
Seja quem ganhe, as relações entre os 3 países não irão sofrer grandes alterações. Esperemos sim, que continuem a trabalhar e a usar a mesma língua para cada vez serem mais unidos e mais fortes, mantendo naturalmente as suas soberanias. Angola tem de se assumir de, uma vez por todas, como uma fábrica de talento. Tem todos os meios para isso. Tem muitos jovens, as pessoas são empreendedoras (na sua maioria pelas dificuldades que foram tendo ao longo da vida) e têm uma atitude positiva perante a vida.
Mas, para isso, tem de haver de uma forte aposta na educação, desde a base. E tem de haver também uma forte aposta na melhoria das condições de vida da população. Desde há muitos anos que se fala sobre angolanização, mas muito pouco se tem visto no desenvolvimento desse tema, e com investimentos acertados e dirigidos à população, o talento dos angolanos vai aparecer e será, certamente, um salto qualitativo gigante na economia do país.
Com isso, vamos ter também muitos mais angolanos espalhados pelo mundo a serem contratados pelo seu talento e competências. E isto faz falta ao país. Terem um povo global, que divulgue o que de bom se faz em Angola. Muitos poderão dizer que já se faz isso. Verdade que temos muitos angolanos jovens a estudar fora do país. Mas não se trata disso. Trata-se de Angola formar os seus talentos e vê-los a voar. Isso é diferente. Angola ser conhecida por formar bons quadros. E isso é um passo importante, a nível doméstico e internacional.
Para isso, Portugal e Brasil podem e devem ajudar mais. E Angola deve permitir essa ajuda. Deveria haver um triângulo entre estas nações que permitisse desenvolver a sério a educação desde a sua base. Não com programas temporários de investimento tímidos, mas sim um investimento prioritário dos 3 países no fortalecimento da educação em Angola. Afinal, é para isso que servem os "irmãos". Para nos ajudarmos mutuamente, com o único interesse no bem de todos.