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Universidade

IA no ensino superior depende de políticas e da formação de docentes

A AMEAÇA OU OPORTUNIDADE DEPENDE DO USO

"Estamos perante um processo de adaptação progressiva a uma tecnologia que evolui mais depressa do que os nossos modelos tradicionais de ensino. Com uma governação adequada, a IA representa uma grande oportunidade para a modernização do ensino superior", defende consultor da UNESCO

Especialistas defendem a criação de políticas e formação de professores para implementar a Inteligência Artificial (IA) no ensino superior do País. Ao Expansão, académicos apontaram a IA como o ponto de partida para personalizar a aprendizagem, acelerar a investigação científica e optimizar processos administrativos das instituições.

A inteligência artificial já é uma realidade nas universidades "lá fora" e mudou a maneira como se ensina, se aprende e o funcionamento das universidades na relação com os estudantes e as novas tecnologias. "Cá dentro", o modo como o ensino superior lida com a inteligência artificial ainda se encontra em fase de embrionária. No entanto, já há universidades e institutos superiores que integram, no seu plano curricular, disciplinas com foco no estudo de ferramentas de IA.

A título de exemplo, no 4.º ano do curso de Ciências da Computação da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Agostinho Neto (UAN), são leccionadas as disciplinas de Inteligência Artificial e Sistemas de Apoio à Decisão para que os estudantes obtenham um perfil de saída com domínio de tecnologias emergentes. Segundo o consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que trabalha no projecto de avaliação de prontidão em inteligência artificial no País, Vicente Lopes, a implementação da IA no ensino superior depende de políticas institucionais claras, formação estruturada para docentes e orientações éticas para o uso de ferramentas tecnológicas no ensino.

"Estamos perante um processo de adaptação progressiva a uma tecnologia que evolui mais depressa do que os nossos modelos tradicionais de ensino. O atraso na sua implementação deve-se ao facto de ainda estar na forja a regulamentação específica para a Inteligência Artificial. Com uma governação adequada, a IA representa, sobretudo, uma grande oportunidade para a modernização do ensino superior.

No entanto, sem literacia digital, enquadramento ético e regras académicas claras, a inteligência artificial pode fragilizar a integridade académica do País", defende Vicente Lopes, que também é director de tecnologias de informação e comunicação institucional da Universidade Agostinho Neto.

Apesar de a IA variar conforme a área do saber, ou seja, nas engenharias e ciências exactas surge como ferramenta para modelar, simular e optimizar sistemas, nas ciências da saúde serve para apoiar diagnósticos e análise de dados clínicos, e nas ciências sociais e humanas facilita a análise de grandes volumes de informação e abrir novas abordagens metodológicas.

Na prática, o ponto comum é a necessidade de formar profissionais capazes de compreender e supervisionar as novas tecnologias, e não apenas de as utilizar de forma automática. "A ameaça ou a oportunidade depende do uso que é dado à inteligência artificial. É oportunidade à medida em que agiliza a busca de informações sobre algum tema que se quer investigar, mas pode tornar-se uma ameaça caso o estudante ou o investigador se limitem às informações produzidas por inteligência artificial, por exemplo", defendeu um docente universitário que preferiu anonimato.

Só para se ter uma ideia sobre o impacto da inteligência artificial, o Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (FORGES) realizou um colóquio na primeira quinzena do presente mês, na Universidade de Lisboa, em Portugal, que abordou o tema "inteligência artificial e tecnologias emergentes no ensino superior". Recorde-se que a Universidade Mandume Ya Ndemufayo (UMN), Universidade de Luanda (UniLuanda) e a Universidade Agostinho Neto (UAN) são as instituições nacionais membros da FORGES.

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