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Lucros de 17 bancos comerciais crescem 37% para 622 mil milhões Kz em 2023

BANCOS ENCERRAM EXERCÍCIO ECONÓMICO DE 2023 COM RESULTADOS EM ALTA

Os resultados foram em grande parte influenciados pelo lucro do BAI que disparou 99% para perto de 200 mil milhões Kz. Na base do aumento dos lucros da banca comercial está a desvalorização do Kwanza em quase 39% no ano passado, o que fez crescer o valor dos activos em moeda estrangeira, como títulos de dívida.

O resultado líquido agregado dos 17 dos bancos comerciais que publicaram os balancetes do quarto trimestre de 2023 dentro do prazo legal cresceu 37% para 621,7 mil milhões Kz, com o BAI, BFA e Standard Bank Angola a liderarem lucros, de acordo com cálculos do Expansão.

Estão de fora das contas do Expansão cinco bancos, nomeadamente, Económico, BPC, Keve, SOL e VTB, que até esta terça-feira-feira, ainda não tinham publicado balancetes do IV trimestre de 2023 nas suas páginas da internet, contrariando assim a regulamentação do Banco Nacional de Angola (BNA), que manda que os balancetes em base individual e consolidado devem ser publicados até 45 dias após o término do trimestre.

Os resultados foram influenciados pela desvalorização cambial verificada no ano passado, já que o kwanza depreciou 39% face ao dólar e 41% face ao euro, o que fez crescer os activos dos bancos em moeda estrangeira já que, quando contabilizados em kwanzas, acabam por crescer quando há uma desvalorização da moeda nacional. Isto potenciou os ganhos com a margem financeira, onde se verificou o crescimento em 32% da carteira de títulos de dívida pública para cerca de 5,9 biliões Kz, com os títulos a representarem 34% dos activos da banca. A depreciação cambial também aumentou os resultados cambiais no ano passado, conforme avança o economista Alberto Vunge, que destaca que "olhando para o macroambiente em que os bancos operaram, no ano passado não houve muitas alterações", a não ser a questão da desvalorização cambial, que potenciou o crescimento dos lucros.

BAI supera BFA e é o novo campeão dos lucros

Entretanto, o BAI foi o banco que mais contribuiu para o crescimento agregado dos lucros da banca, com 32% dos lucros totais. O banco liderado por Luís Lélis viu os resultados dispararem 99% para perto de 200 mil milhões Kz, ou seja, duplicou os resultados. Se durante muitos anos o BFA liderou o ranking dos maiores lucros da banca até 2022, o BAI fica agora com o título de campeão dos lucros, acumulando também o título líder em activos. Segue-se, precisamente, o BFA liderado por Luís Gonçalves, que registou um aumento de 19% dos lucros para 167,3 mil milhões Kz. Já o Standard Bank Angola fecha o pódio com um resultado líquido de 68,2 mil milhões Kz. Juntos, estas três instituições financeiras representam 70% do lucro total dos 17 bancos que publicaram os balancetes do IV trimestre de 2023.

Se os grandes bancos tiveram bom desempenho, os pequenos viram os lucros caírem. O Banco da China Sucursal em Luanda (BOCLB), menor banco da praça nacional, registou a maior queda nos resultados, na ordem dos 85% para 324 milhões Kz. O Finibanco (-70%), BCS (-66%), BCH (-43%) e o BVB (-9%) também registaram quedas nos resultados líquidos. Ao contrário de 2022, desta vez nenhum banco registou prejuízos em 2023.

Crédito sobe, mas rácio de transformação ainda é baixo

Assim, em 2023, o conjunto de 17 bancos viu o stock de crédito aumentar 28% para 3,4 biliões Kz, mais 745,09 mil milhões em relação ao ano de 2022. Sem surpresas, o BIC mantém-se como o campeão deste ranking, com 762,3 mil milhões Kz, o que representa um crescimento de 26%, face ao período homólogo. Segue-se o BFA com 552,5 mil milhões Kz e o ATLANTICO com 479,1 mil milhões Kz. Juntos são os campeões dos créditos.

Os depósitos totais, por sua vez, cresceram 34% ao passar de 10,2 biliões Kz para 13,6 biliões.

Contas feitas, o rácio de transformação do conjunto de 17 bancos é de 25%, um valor consideravelmente baixo face ao que acontece em economias mais desenvolvidas, o que demonstra que o crédito ainda não é uma prioridade para a banca angolana, ao contrário do que acontece com a dívida titulada. Ainda assim, este rácio é baixo porque os maiores bancos nacionais têm depósitos avultados em moeda estrangeira, que quando são registados nos balanços são convertidos em kwanzas. Ora, como a moeda nacional desvalorizou bastante o ano passado, esses depósitos acabaram por crescer, o que faz com que este rácio de transformação não seja real, conforme admitem ao Expansão vários responsáveis da banca nacional.

Leia o artigo integral na edição 764 do Expansão, de sexta-feira, dia 23 de Fevereiro de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)