Aliás, como tu sabes, bem melhor do que eu!
O estudo demonstra que indivíduos com pouco conhecimento ou competência numa área tendem a acreditar que sabem muito mais do que sabem, e que até sabem mais do que os especialistas da área em questão. Isto pode acontecer-nos a todos. Afinal, qual é o fã de futebol que não sabe muito mais do que o próprio treinador?
Já lhe aconteceu? Alguém começa a explicar-lhe algo que é da sua área e, depois, atira-lhe uma espécie de elogio, mas que soa a tudo menos isso: "Aliás, como tu sabes, bem melhor do que eu!".
Há algum paternalismo neste: "Aliás, como tu sabes, bem melhor do que eu!". É como se a pessoa olhasse para nós e dissesse: "Eu sei mais do que tu, mas já que tu é que tens o título, então vê lá se aprendes!". Essa frase leva-nos a concordar com o nosso interlocutor, por sermos apanhados de surpresa, e por podermos não querer parecer ignorantes na nossa área. É também possível que, se tentarmos colocar um travão naquele entusiasmo discursivo pouco fundamentado, sejamos vistos como invejosos. Afinal, ele fala como se soubesse tudo, apesar de ter lido apenas um livro sobre Física e nós sermos pesquisadores aeroespaciais da NASA.
Vejamos alguns exemplos - muito simples e muito reais - deste fenómeno de autoavaliação irrealista e inflada:
01. Primeiro dia de aulas na Faculdade de Letras. Um dos alunos do primeiro ano começa assim a sua apresentação: "Nós, os linguistas..."
02. Turma de Psicologia do segundo ano. Início do ano. Um dos alunos propõe: "Porque é que não nos organizamos e vamos fazer atendimentos psicoterapêuticos nas comunidades?"
03. Pessoas incapazes de nomear um poeta preferido, incapazes de nomear dois livros de poemas, mas decididos a publicar um livro de poemas da sua autoria.
04. Pessoas que, na avaliação de desempenho, se autoavaliam como excelentes, apesar de terem estado ausentes durante metade do ano e pouco terem feito na outra metade.
05. Um ladrão, McArthur Wheeler, que acreditava que, passando limão no rosto, ficaria invisível para as câmaras de segurança. McArthur Wheeler mostrou-se incapaz de reconhecer o absurdo do seu plano, levando dois psicólogos sociais da Universidade de Cornell, Dunning e Kruger, a perguntarem-se se haveria padrões cognitivos que explicassem este fenómeno de pessoas com pouco conhecimento ou competência sobrestimarem drasticamente as suas habilidades.
(Leia o artigo integral na edição 863 do Expansão, sexta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)










