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Opinião

Maioria silenciosa

EDITORIAL

A nova legislatura, independentemente das pessoas que segurarem as diversas áreas da governação, é fundamental para o desenvolvimento do País e para aquilo que poderá ser o nosso futuro.

A linha entre a afirmação de uma sociedade mais equilibrada, preocupada, inclusiva, capaz de responder aos anseios da sua população, e uma enorme "confusão" assente em práticas de discriminação e exclusão, é cada vez mais curta.

Se definitivamente não houver um esforço de agregação, de premiação dos bons valores e boas práticas, se não houver um corte radical nas práticas de protecção da "grande família", de reforço das instituições e da separação clara entre o que são partidos políticos, em que cada um escolhe onde se quer posicionar, e o Estado, que somos nós todos, o futuro pode estar em causa.

Ideias como a meritocracia, a valorização do empreendedorismo, a verdade na abordagem dos problemas, a clareza das soluções, parecem cada vez mais necessárias numa realidade "faz de conta" alimentada pelas instituições públicas, sejam elas da comunicação social, dos institutos, das empresas, ou de outras agremiações. Temos que aprender a exigir a clareza e a transparência na nossa relação com o Estado. E este tem que perceber que deve fazê-lo. Não podemos continuar a despovoar o know-how nacional porque os alguns dos mais bem preparados não acreditam mais, desistem, fazem as malas e vão embora.

Vou recordar a quem vai assumir o Poder, que houve 107 mil angolanos que se levantaram cedo, puseram-se na fila da mesa de votação, receberam o boletim, dirigiram-se ao local de marcação da cruz, dobraram o papel e votaram em branco. Se fosse contabilizado como uma força concorrente, teria sido o terceiro partido político mais votado, apenas atrás do MPLA e UNITA, e teria elegido pelo menos três deputados. Estes mostraram, conscientemente, que não confiam em nenhuma das propostas apresentadas.

Recordo também que houve mais de 70 mil votos nulos, e muitos terão anulado também de forma consciente, e uma abstenção recorde. Obviamente que pode argumentar-se que muitos dos nomes que estavam na base já teriam falecido, mudado de País, mudado de município, etc.. etc...

Mas convém não esquecer que nestas eleições votaram menos 700 mil eleitores que em 2017 apesar da base eleitoral ter crescido 56%, de 9,2 milhões para 14,4 milhões de cidadãos. E muitos destes que se abstiveram, também o fizeram de forma consciente.

Peço por isso que entendam que o momento é de inclusão, de acabar com a soberba e a altivez. Quem assumir o Poder, independentemente das contas de um ou outro partido, terá tido cerca de 3 milhões de votos. Menos de 10% da população angolana e apenas 18% dos cidadãos acima dos 18 anos. Se não forem humildes para perceberam quem afinal representam, quanto vale esta votação, vão acabar por afastar a maioria silenciosa que na verdade faz o País andar. E sem ela não há desenvolvimento....