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Angola

Inflação homóloga nacional abranda e cai para 14,56%

IPC de Janeiro

A inflação em Angola continua em trajectória descendente, mas permanece em níveis elevados, revelando fragilidades profundas da economia. Ainda assim, a forte pressão dos preços dos alimentos, dos transportes e as assimetrias regionais - com Cabinda muito acima da média - mostram que a desinflação é lenta e desigual.

A inflação em Angola manteve, ao longo do último ano, uma trajectória de desaceleração gradual, ainda que a níveis historicamente elevados, confirmando a persistência de pressões estruturais sobre os preços. Em Janeiro de 2026, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou uma variação homóloga de 14,56%, menos 1,13 pontos percentuais do que no mês anterior e uma redução expressiva face aos 26,48% observados em Janeiro de 2025. Em termos acumulados, trata-se de uma descida de quase 12 pontos percentuais em doze meses, reflectindo uma combinação de maior estabilidade cambial, política monetária restritiva e algum arrefecimento da procura interna

A leitura da série dos últimos 12 meses confirma esta tendência descendente. Depois de um pico acima dos 26% no início de 2025, a inflação foi perdendo intensidade de forma contínua ao longo do ano, encerrando Dezembro nos 15,70% e entrando em 2026 com nova desaceleração. Ainda assim, a média anual continua elevada (19,14%), evidenciando que o processo de desinflação é lento e condicionado por factores estruturais, como a forte dependência de importações, os custos logísticos e a elevada exposição a choques nos preços administrados e regulados.

Do ponto de vista da composição, a inflação continua a ser largamente explicada pela classe "Alimentação e bebidas não alcoólicas", que respondeu por 62% da variação total, com um contributo de 9,04 pontos percentuais. Este comportamento está associado à elevada dependência de produtos importados, à volatilidade dos custos de transporte e armazenagem e às limitações persistentes da produção agrícola nacional. Também as classes Transportes (19,07%), Habitação, água, electricidade e combustíveis (16,60%) e Saúde (15,92%) mantêm pressões relevantes, reflectindo ajustamentos tarifários, custos de energia e impacto cambial sobre bens e serviços essenciais

Em Luanda, que concentra a maior fatia do consumo nacional e funciona como principal formador de preços, a inflação manteve-se acima da média de várias províncias, com uma variação homóloga de 15,35%. O valor espelha as especificidades do mercado da capital: maior pressão da procura, custos imobiliários elevados, dependência quase total de cadeias logísticas longas e maior sensibilidade a alterações nos preços dos combustíveis e dos transportes urbanos. Apesar disso, Luanda já não surge entre os territórios com inflação mais elevada, sinal de alguma normalização relativa face a choques anteriores.

A análise regional revela assimetrias significativas. Cabinda lidera o ranking, com uma inflação de 23,12%, muito acima da média nacional, explicada pelo elevado custo de vida, isolamento geográfico, forte dependência de importações e preços de transporte mais altos. Seguem-se Luanda Sul (16,93%) e Bié (16,42%), províncias onde factores como custos logísticos, fragilidades na oferta local e menor concorrência nos mercados internos continuam a pressionar os preços. No extremo oposto surgem Huambo (12,57%), Zaire (12,93%) e Cuando Cubango (13,11%), beneficiando de maior proximidade a zonas de produção agrícola, menor densidade urbana e, em alguns casos, menor exposição aos serviços com preços administrados

Em termos de fundo, os números confirmam que a desaceleração da inflação resulta mais de factores monetários e cambiais - como a política restritiva do banco central e a estabilização do kwanza - do que de ganhos estruturais na economia real. A persistência de níveis elevados nos bens alimentares e nos transportes evidencia que, sem avanços consistentes na produção interna, na logística e na concorrência, o processo de desinflação continuará vulnerável a choques externos e a decisões administrativas. A inflação abranda, mas permanece elevada, mantendo-se como um dos principais constrangimentos ao poder de compra das famílias e à previsibilidade económica.

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