Venda de carros novos cresce 38% para 6.175 "empurrada" pelos ligeiros de passageiros
O mercado dos carros novos tem estado a oscilar desde 2017, após um ciclo de vendas recordes. Apesar do crescimento, os indicadores económicos, sobretudo a inflação, que degrada as condições financeiras das famílias, e a desvalorização cambial, são desfavoráveis à compra de bens duradouros como o automóvel.
O mercado de carros novos vendidos por marcas de referência no mercado nacional cresceu 37,7%, para 6.175 unidades, face a 2024, ano em que o sector se ressentiu da desvalorização abrupta do kwanza face ao euro e ao dólar, ocorrido durante 2023, o que afectou fortemente a disponibilidade de divisas para a importação de viaturas. O crescimento agora registado foi impulsionado sobretudo pela maior procura de modelos ligeiros (grande parte utilizados nos serviços de táxi por aplicativo) e também por uma disponibilidade mais regular de divisas, de acordo com a Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transporte Rodoviário e Outros (ACETRO).
Apesar do aumento das vendas de carros novos, que têm oscilado entre crescimentos e recuos desde 2017, ainda é cedo para afirmar que o mercado possa regressar aos níveis de 2014-2015, quando as concessionárias venderam quase 75 mil viaturas em dois anos, num contexto em que cada dólar valia cerca de 100 Kz. Actualmente, os indicadores económicos, sobretudo a inflação, que degrada as condições financeiras das famílias, e a desvalorização cambial, são desfavoráveis à compra de bens duradouros como o automóvel.
Por isso, o inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) referente ao III trimestre de 2025, que mede a confiança dos consumidores, indica que apenas três em cada 100 pessoas respondem "sim, com certeza absoluta" quando questionadas se pensam comprar um carro nos próximos dois anos. Vinte dizem "provavelmente sim", 48 "provavelmente não" e 20 dão um "não" categórico a essa possibilidade.
Entretanto, este crescimento explica-se pela forte procura de carros ligeiros de passageiros, cujas vendas aumentaram 49%, para 4.876 unidades, representando a segunda maior marca deste segmento desde 2017, apenas superada pelas 5.119 unidades vendidas em 2023. Este segmento, composto por viaturas de gama mais acessível, contribuiu com quase 80% do total de unidades comercializadas em 2025 pelos 33 associados da ACETRO.
O crescimento da venda deste tipo de veículos está também estreitamente relacionado com a expansão do negócio semi-informal dos táxis por aplicativo, que nos últimos anos tem assistido à entrada de novos operadores nacionais e estrangeiros no mercado, além de se afirmar como uma fonte de rendimento extra para várias famílias angolanas.
Por outro lado, uma disponibilidade mais regular de divisas permitiu às concessionárias aumentar o stock de viaturas. Ainda assim, o crescimento permanece distante do recorde histórico de vendas registado em 2014, quando as empresas comercializaram cerca de 35 mil modelos ligeiros de passageiros e no global quase 45 mil viaturas em apenas 12 meses. "A estabilidade cambial teve impacto na oferta de modelos e no ajustamento de preços", disse ao Expansão Nuno Borges, antigo presidente da ACETRO.
Nuno Borges acrescentou que as festividades dos 50 anos da Independência Nacional, através de vários programas organizado pelo Governo, também terão impulsionado a venda de modelos de menor dimensão, com destaque para a marca Suzuki, que liderou o mercado em 2025, com mais de 3.414 unidades vendidas, correspondendo a mais de metade das vendas globais. Entre os modelos mais vendidos destacou-se o Suzuki Baleno.
O volume de carros vendidos durante o ano num mercado é também indicador da saúde económica de um país e indicador de confiança dos consumidores. "A compra de carros significa, na prática, que as famílias de renda media têm maior poder de compra, mas este crescimento não indica de todo isso no caso de Angola", disse outro empresário do sector ao Expansão.
(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











