Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Empresas & Mercados

Grupo Anseba vai importar 250 mil toneladas de cimento até Junho

Único participante no concurso

Governo volta a autorizar importação de cimento, depois de no ano passado terem sido importadas 150 mil toneladas para atender a procura, afectada pela queda da produção interna devido a vários constrangimentos e paralisação da cimenteira CIF, privatizada em 2024.

O grupo Anseba ganhou o concurso público para importação de 250 mil toneladas de cimento realizado pelo Ministério da Indústria e Comércio, tendo sido o único concorrente, apurou o Expansão junto de fonte do Governo. Este grupo, de origem eritreia, é o actual gestor da rede de hipermercados Kero, e em 2024 assinou com o Grupo Carrinho um acordo de industrialização de produtos da cesta básica.

A importação vai acontecer em dois lotes, sendo o primeiro de 150 mil toneladas, que deverá ser efectivada até ao último dia de Março, e o segundo lote de 100 mil toneladas terá que ser concretizado até 30 de Junho, e surge depois de no ano passado o País ter importado 150 mil toneladas para atender a procura do mercado. Em 2014, Angola proibiu a importação de cimento devido à produção na altura, que atendia as necessidades do mercado, mas esta capacidade foi caindo, fazendo com que fossem abertas algumas excepções para a importação deste produto.

A proibição da importação de cimento foi considerada pela Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC), de limitadora da liberdade das empresas no que diz respeito à compra dos referidos produtos, já que as necessidades e preferências dos agentes económicos variam, não sendo recomendável que, de futuro, existam imposições dessa natureza em termos de aquisição de cimento e clínquer no mercado nacional.

No seu "Relatório Sobre a Avaliação do Perfil Concorrencial de Políticas Públicas no Subsector da Construção Civil, de 2023 (o último disponível), a ARC alerta que "à luz da metodologia de avaliação de impacto concorrencial definida pela OCDE, entende-se que o artigo 1.º do Decreto Executivo Conjunto n.º 220/17, de 17 de Abril, tende a provocar distorções à concorrência no mercado nacional de cimento e de clínquer, visto que as empresas que eventualmente prefiram adquirir por outras vias ficam impossibilitadas de o fazer.

As 250 mil toneladas de cimento que vão ser importadas pelo Grupo Anseba correspondem a 3% da capacidade de produção do País, que é de 8,5 milhões de toneladas ano, afectada pela paralisação da cimenteira CIF, a maior unidade de produção em Angola, com capacidade para produzir 3,6 milhões de toneladas e condicionalismos em outras fábricas.

Desde que foi privatizada em 2024 ao consórcio de empresas constituído pela Griner, Cimenfort e Mercons, a cimenteira CIF, localizada na província do Ícolo e Bengo, está praticamente parada, condicionando a disponibilização de cimento no mercado, situação que tem contribuído para a escalada do preço do saco de cimento de 50 quilos, que no final do ano passado chegou aos 10 mil Kz.

O concurso desencadeado em Janeiro, surgiu depois de o preço do saco de cimento de 50 quilos disparar no final do passado no mercado, passando a custar mais 10 mil Kz, no mercado informal, devido aos constrangimentos na produção deste produto no País e à especulação típica no mês de Dezembro.

(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo