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Economia

Pessimismo das famílias em queda há três trimestres consecutivos

INDICADOR DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR NO III TRIMESTRE DE 2025

Apesar da queda do pessimismo, famílias continuam a debater-se com deterioração das condições de vida, uma combinação formada por falta de empregos, baixos salários e custo de vida cada vez mais elevado, o que estimula a insatisfação social. Eleições estão ai à porta e geralmente animam expectativas.

O pessimismo das famílias sobre a evolução da situação económica e financeira do País está em queda há três trimestres consecutivos, de acordo com o Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC) publicado esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativo ao III trimestre de 2025.

O índice que avalia a confiança dos consumidores nacionais permanece em terreno negativo há quase seis anos, desde que foi feita a primeira publicação. O Inquérito de Conjuntura no Consumidor tem como objectivo obter a opinião dos agregados familiares face a vários aspectos da conjuntura económica e permite avaliar o nível ou o grau de confiança das famílias angolanas no que concerne à situação económica e financeira do País, bem como a dos agregados familiares.

Após atingir, em finais de 2024, o nível mais alto desde o IV trimestre de 2020, ano da pandemia da Covid-19, os consumidores começaram a mostrar-se menos pessimistas em 2025, já que o ICC passou de -19,7 no final de 2024 para -16,7 nos primeiros três meses de 2025, -16,4 no II trimestre, caindo novamente para -15,0 no III trimestre.

Esta queda do pessimismo das famílias estará relacionada com o abrandamento da inflação - que ainda assim continua elevada, comendo os rendimentos das famílias - e com o aumento dos salários da função pública em 25% no ano passado, pese embora este ajuste já tenha sido "comido" pelas subidas dos preços do gasóleo, água e luz e transportes públicos.

No entanto, o indicador continua em terreno negativo devido à deterioração das condições de vida das famílias, uma combinação formada por falta de empregos, baixos salários e custo de vida cada vez mais elevado, o que prejudica o consumo e a poupança, contribuindo para o aumento da pobreza e da instabilidade social.

Para o economista Gaspar João, o pessimismo das famílias em relação à situação económica do País resulta de uma "questão complexa que envolve várias variáveis como a inflação, o fraco poder de compra, o desemprego", bem como a incerteza que envolve a economia do País.

"Estamos nesta situação há mais de seis anos e as famílias sentem que as políticas do Executivo têm sido ineficazes para devolver o bem-estar aos cidadãos para que possam acreditar num futuro promissor. Se não houver mudanças, a confiança das famílias continuará em terreno negativo", admite.

Estes números correspondem ao saldo das respostas extremas, isto é, a diferença entre as avaliações positivas e negativas dos chefes de agregados familiares sobre as perspectivas de evolução da economia. Ou seja, no III trimestre de 2025, em média, a percentagem de famílias inquiridas que tem perspectivas negativas sobre a marcha da economia nacional excedia em 50,0 pontos negativos a percentagem das que tinham perspectivas positivas (confiança).

Covid-19 arrasou confiança das famílias

Apesar de nunca ter estado em terreno positivo, este inquérito ao consumidor tem andado aos altos e baixos. Em 2020, fica marcado por ter registado o maior pessimismo, quando no II trimestre do ano que foi marcado pela pandemia da Covid-19 registou um saldo de -21,4 pontos. Depois verificou-se uma diminu ção gradual do pessimismo à medida que se iam aproximando as eleições gerais de 2022, num período também fortemente marcado pela alta de preços do barril de petróleo - que chegou a superar a barreira psicológica dos 100 USD - e também por uma descida da inflação e pelo retomar do crescimento económico.

Leia o artigo integral na edição 859 do Expansão, sexta-feira, dia 16 de Janeiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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