Fazemos (todos) 16 anos
Somos pelo País, olhamos sempre para aquilo que é o melhor para Angola, pois sabemos que a nossa função é contribuir para que se alterem as coisas que não estão bem, e isso não se faz com um discurso unânime, seguidista e bajulador.
Completámos o nosso 16º aniversário. O Expansão nasceu no início de 2009, quando existia um ambiente de euforia na nossa economia. Muitas empresas a entrarem no mercado, centenas de empresários estrangeiros que visitavam o País à procura de novas oportunidades, o dólar valia 90 Kz, as importações de mercadorias totalizavam 22.600 milhões USD/ano, o PIB per capita era de 3.147 USD e a dívida pública era de apenas 56,3% do PIB. O País abria linhas de financiamento a grande velocidade sem grande estratégia e atirava-se para obras megalómanas, caríssimas, sem grande fiscalização, um fardo que hoje pesa nas costas dos angolanos, e que vai perdurar, pelo menos, durante mais duas gerações.
Eu sou o 4.º director do jornal, depois de Victor Fernandes, Evaristo Mulaza e Carlos Rosado de Carvalho, e desde sempre que o Expansão apostou num tipo de jornalismo com verdade e transparência, que não se inibe quando é pressionado, mas que também confirma sempre em várias fontes a sua notícia. Mas mais importante, faz o contraditório, e permite aos visados que dêem as suas justificações e a sua visão da questão em causa.
E, neste aspecto, há que referir dois ou três pontos que são importantes. Por um lado, algumas instituições não estão habituadas a dar respostas e pensam que se não responderem, não se faz a notícia. Por outro, que apenas a sua versão deve ser publicada, ou que deve ter maior destaque que outras visões do mesmo assunto.
A verdade é que os jornalistas dos Expansão, ouvindo todas as partes, têm a liberdade de escrever e explicar os factos de acordo com a sua sensibilidade e conhecimento, retirando as conclusões que achem mais importantes. A credibilidade que é atribuída ao jornal assenta nesta forma de trabalhar as notícias, recorrendo sempre a diversas fontes, assente em gráficos e tabelas que permitam aos leitores tirar as suas próprias conclusões com base nos números apresentados, mas também permitindo que especialistas de diferentes correntes possam dar a sua opinião sobre um mesmo facto. A opinião das minorias é valorizada no nosso projecto editorial porque acreditamos que o direito à diferença é uma alavanca para o desenvolvimento das sociedades e dos países.
Somos pelo País, olhamos sempre para aquilo que é o melhor para Angola, pois sabemos que a nossa função é contribuir para que se alterem as coisas que não estão bem, e isso não se faz com um discurso unânime, seguidista e bajulador. Ter uma opinião contrária, olhar para os factos com outra perspectiva, não é estar contra. É contribuir para o desenvolvimento de todos. Somos pela Democracia, pela verdade e pela transparência. Obrigado a todos por nos continuarem a ler.