Tráfico negreiro dá vida à exposição "Portal do Retorno"
Dino D'Santiago, expressa a dor das vítimas do tráfico negro na ilha de Goré, no Senegal, em Benguela e no Benin.
O músico, pintor e escritor Dino D'Santiago desenhou 30 quadros que contam a história do tráfico negreiro, destes 27 têm rostos incompletos, porque a "vida de muitos afrodescendentes ainda é incompleta", explicou o artista que inaugurou a sua exposição "Portal do Retorno", na Galeria Underdogs, em Lisboa-Portugal, onde ficará patente até o dia 28 de Março.
A obra criada no contexto dos 50 anos de presença de independência das cinco colónias portuguesas, apresenta rostos que simbolizam "as meias-vidas que ainda se vivem, até que uma pessoa de origem africana consiga dizer que tem a sua vida plena, e a consciencialização de ressignificação da expressão, pessoa de cor, afirmada como território de potência e pluralidade".
Entretanto, Portal Retorno é uma redefinição de descobertas sem retorno que aconteceram na ilha de Gorê, no Senegal, em Benguela e no Benin, lugares que marcaram o artista pelo facto de muitos corpos terem de lá saído e não mais regressaram. Ao pintar os quadros, o artista não só regista a maneira como os escravos eram tratados, mas traz a força e a resistência dos africanos. "Para mim, cada vez que um de nós prospera, somos um portal de retorno", diz o autor.














