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Garantir o amanhã: O papel dos seguros na poupança em Angola

EM ANÁLISE

O sector segurador angolano possui elevado potencial para desenvolver produtos financeiros, como seguros de vida, capitalização e poupança de longo prazo. Contudo, a sua implementação enfrenta desafios que requerem estratégias claras para assegurar o crescimento sustentável e a adesão do mercado.

A importância dos mecanismos de poupança em Angola através do sector segurador

A poupança é essencial para a estabilidade financeira e o crescimento económico. Em Angola, mecanismos eficazes de poupança são vitais para reforçar a segurança financeira e a qualidade de vida. Contudo, a volatilidade cambial e uma cultura de poupança ainda pouco enraizada dificultam hábitos sustentáveis, comprometendo uma base financeira sólida. Neste contexto, o sector segurador assume um papel estratégico na promoção da estabilidade e da sustentabilidade económica.

Tendências globais em produtos de poupança no sector segurador

Em 2024, o sector segurador global demonstrou um crescimento significativo nos produtos de vida e financeiros, impulsionado pela procura por soluções de poupança e capitalização.

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras, o Brasil registou um aumento de 16,3% nas contribuições para planos de reforma, alcançando 32 mil milhões de dólares, enquanto os produtos de capitalização somaram 5,6 mil milhões.´

Nos Estados Unidos, segundo a S&P Global, o mercado de seguros de vida ultrapassou os 800 mil milhões de dólares, impulsionado pela estabilidade económica e pelo crescimento dos planos de reforma e investimentos associados.

Na América Latina, apesar da desaceleração económica, os seguros com capitalização e os fundos de pensões privados continuaram a ser fundamentais para a estabilidade financeira, face à inflação e à instabilidade cambial.

Em África, o crescimento dos microsseguros e de soluções acessíveis tem sido crucial para a inclusão financeira. Segundo o Banco Mundial, países como a África do Sul e o Quénia usam plataformas digitais para ampliar o acesso a produtos de poupança e reforma, reforçando a penetração dos seguros na região.

Produtos de vida, financeiros, mistos e outras soluções

As seguradoras oferecem soluções que combinam protecção e valorização do capital, promovendo a estabilidade financeira dos clientes. Destacam-se os seguros de vida, com ou sem capitalização. Os primeiros permitem acumular poupança, com montante resgatável pelo segurado ou pelos beneficiários. Os segundos garantem protecção financeira em caso de falecimento, através do pagamento de capital ou renda aos beneficiários.

Para além dos seguros de vida, as seguradoras oferecem produtos financeiros e de investimento, como os unit-linked, que associam a poupança a activos financeiros, e os fundos de pensões, orientados para a reforma. Outras soluções incluem seguros de capitalização, que permitem acumulação estruturada de poupança, e microsseguros, que alargam o acesso à protecção financeira.

Os unit-linked oferecem liberdade na escolha dos investimentos, como acções ou obrigações, com potencial de rendimento elevado, mas sujeitos à volatilidade do mercado.

Os fundos de pensões permitem poupar para a reforma, através de contribuições regulares, sendo mais eficazes com planeamento a longo prazo.

Cada produto tem benefícios e desafios próprios: seguros de vida e fundos de pensões visam estabilidade a longo prazo, enquanto unit-linked e capitalização oferecem maior rentabilidade, com algum risco.

Benefícios fiscais e vantagens para as famílias em Angola

Para além da segurança financeira, os produtos de poupança das seguradoras em Angola oferecem vantagens fiscais. A Lei n.º 8/22, de 14 de Abril, que aprova o Código dos Benefícios Fiscais (CBF), prevê incentivos que promovem a adesão e reforçam a cultura de poupança e investimento responsável.

01. Deduções fiscais em seguros de vida - Nos termos do artigo 26.º do CBF, os rendimentos de seguros de vida com capitalização beneficiam de redução na taxa do IAC: 50% para maturidade entre 3 e 6 anos, e até 80% para mais de 6 anos. A medida incentiva a poupança e melhora a rentabilidade a médio e longo prazo.

Leia o artigo integral na edição 819 do Expansão, de sexta-feira, dia 28 de Março de 2025, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

** Ricardo Vinagre, Partner EY, Assurance Financial Services

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