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Gestão

Tango comigo

CAPITAL HUMANO

O RH olha para o tango nas empresas como a reciprocidade profissional, se um não quer, dois não trabalham. Assim como o Tango dentro das empresas, a conexão entre liderados e chefias, entre departamentos e entre todos os restantes stakeholders, precisa funcionar.

É preciso dois para dançar o tango. Este é um dos ditados populares mais conhecidos no que tange à necessidade de união de forças para uma determinada acção. Seja para brigar, para resolver problemas é preciso que dois estejam na mesma página e, nesta perspectiva, sabe-se que o Tango, de origem argentina, é um estilo de dança sensual, num compasso de quatro passos, de coreografia complexa, exigente e extremamente elegante.

Cada dança conta uma história de vida, drama ou romance que os espectadores devem sentir ao ver dois corpos que se juntam para dançar o Tango. Este estilo de música tem duas categorias: o tango de salão, que é o mais tradicional, em que o par não pode "separar- -se" a partir do início da música até ao final da coreografia, sem recurso a grandes piruetas, apenas a sensualidade e a elegância; e o Tango de palco, que é mais flexível, recorrendo aos famosos passos largos, o abraço milongueiro e os truques aéreos.

Uma curiosidade é que o tango original foi dançado por homens e esta é a razão pela qual os rostos ficam (até hoje) virados. Para que o Tango funcione conforme a originalidade, datada do século XIX, é preciso que o par tenha uma conexão acima do aceitável. Os corpos precisam representar sensualidade, paixão, desejo e dar a sensação "de fruto proibido, o mais apetecido." O RH olha para o tango nas empresas como a reciprocidade profissional, se um não quer, dois não trabalham.

Assim como o Tango dentro das empresas, a conexão entre liderados e chefias, entre departamentos e entre todos os restantes stakeholders, precisa funcionar. A reciprocidade profissional pode ser caracterizada como retribuição de uma acção ou sentimento de um colega para outro, de um líder para um liderado, de um departamento para outro departamento e até mesmo de empresas para empresas.

De braço dado com a empatia, a reciprocidade profissional pode ser confundida com a gentileza, mas mais do que simples actos de gentileza, a reciprocidade profissional tem um impacto global ao invés de pessoal. Em RH a reciprocidade é das melhores ferramentas de trabalho possível, pois permite envolver os colaboradores de forma impactante e pessoal e, como tal, separámos algumas dicas de reciprocidade profissional que podem contribuir para um tango expressivo.

01. Seja o colega que gostaria de ter tido quando começou a trabalhar: O RH tem a responsabilidade de fazer a integração e acolhimento aos novos integrantes, no entanto, este acolhimento pode ser demasiado formal e não permite ao novo colaborador sentir-se realmente acolhido. Se, por outro lado, encontrar um colega que lhe conte alguns segredinhos da empresa e dê luzes dos comportamentos dos superiores, vão permitir ao novo colaborador integrar-se efectivamente.

02. Ouvinte de oração: Escutar para entender o ponto de vista dos outros, permite ao orador sentir-se respeitado e atendido.

03. Manter-se aberto a diálogos: O diálogo é o mais antigo meio de comunicação e permite que através do canal das palavras, as dificuldades, os desejos e necessidades sejam expressadas.

04. Retribuir pequenos gestos: Oferecer um café ao colega que está bastante atarefado, devolva um favor, agradeça sempre que lhe derem algum documento, garanta que nunca atrase o seu trabalho se dele depender o trabalho dos outros.

05. Rede de contactos: Fazer amigos dentro das empresas permite que a rede de interajuda funcione mais fluentemente. Se eu não puder ajudar, conheço alguém que o pode fazer.

A jornada laboral tem as suas exigências de autoconhecimento e aprendizagem contínua. Em algum momento do dia o apoio, o ouvido ou as palavras de alguém podem fazer a diferença na vida dos colegas.

(Leia o artigo integral na edição 674 do Expansão, de sexta-feira, dia 13 de Maio de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)