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Opinião

Saúde e Educação

EDITORIAL

Nos outros países que estão em paz, que não têm conflitos no seu território, as despesas em Saúde e Educação são sempre "folgadamente" superiores ao que se gasta em Defesa e Segurança, mas para nós, este já é um começo.

2024 fica para a história do País como o ano em que o Governo gastou mais em Educação e Saúde do que em Defesa e Segurança, de acordo com o relatório de execução do OGE. Esta é uma bandeira que foi hasteada durante os últimos anos na apresentação do Orçamento, mas que, ano após ano, era depois "recolhida" pela realidade da execução. Mas agora aconteceu, apesar de, relativamente ao previsto, a Educação e Saúde terem executado menos 393 mil milhões Kz e a Defesa e Segurança gasto mais 800 mil milhões Kz.

Se olharmos para outros países que estão em paz, que não têm conflitos no seu território, as despesas em Saúde e Educação são sempre "folgadamente" superiores ao que se gasta em Defesa e Segurança, mas, para nós, este já é um começo. Com os graves problemas que temos na Educação, onde o sistema público tem inúmeras carências e debilidades, que não é frequentado pelos filhos e afilhados dos nossos dirigentes, a quase totalidade estuda ou estudou fora, com a particularidade de ser cada vez mais cedo, muitos a partir do secundário, a necessidade de investimentos é muito maior.

Mesmo os "herdeiros" do Poder que estudam em Angola estão na sua grande maioria no ensino privado, onde se pagam "fortunas" de acordo com o estatuto de cada um dos estabelecimentos, um negócio que floresceu nestes anos de paz e que, possivelmente, não foi feito de uma forma natural. Se olharmos para os últimos beneficiários dos lucros que o ensino privado gera todos os anos, talvez seja legítimo alimentar uma certa "teoria da conspiração", que isto não acontece por acaso.

O mesmo se passa na Saúde. Não é por acaso que grande parte das nossas figuras de destaque morre no estrangeiro, porque em caso de doença, a solução é ir tratar-se lá fora. E isso acontece a todos os níveis e nem pode falar-se de falta de patriotismo. Apenas que não existem condições ou confiança no sistema de saúde, sendo que os exemplos vêm de cima. Os outros que se seguem na pirâmide pensam exactamente o mesmo. E por aí abaixo, até onde as condições económicas permitirem. Ou seja, acabam por ficar apenas os que não têm capacidade para sair.

E isso acaba também por ser um pouco injusto, porque, em prol da verdade, existem unidades em Angola que funcionam devidamente, médicos de qualidade indiscutível, mas o sistema como um todo é sempre visto com alguma desconfiança. Não é construindo mais hospitais e clínicas que se inverte a situação, é fundamentalmente apostando mais nas pessoas, valorizando os médicos e enfermeiros que dão o seu melhor todos os dias.

Hoje escrevemos que a Educação e Saúde teve mais recursos em 2024 do que a Defesa e Segurança, o caminho agora é escrever que foi o dobro ou triplo. Aí sim, teremos o País a avançar. Vai acontecer um dia...

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