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Economia

Produção de diamantes aumenta 9,4% e vendas sobem 20,8% para 1,8 mil milhões USD

Mercado de diamantes em 2025

O valor arrecadado diz respeito às receitas brutas de todo o sector e não ao que o Estado arrecadou em contribuições fiscais provenientes da produção, comercialização e exportação de diamantes. Carga fiscal no sector é considerada baixa, sobretudo quando comparada com o sector petrolífero.

O crescimento da produção nacional de diamantes, uma tendência que se regista desde 2020 (ano afectado pela Covid-19), manteve-se em 2025, com a produção a aumentar 9,4%, para 15,2 milhões de quilates. Também a receita bruta demonstra uma subida acentuada de 20,8%, para 1,8 mil milhões USD, face a 2024 (1,5 mil milhões USD). A evolução positiva do sector diamantífero está ligada à exploração da mina de Luele.

Luele e Catoca são actualmente os dois maiores projectos do País e garantem a maioria da produção de diamantes, mesmo num contexto de crise internacional acentuada, com os diamantes sintéticos a ganharem quota de mercado aos diamantes naturais. Mesmo assim, em 2025 registou-se um aumento do preço médio dos diamantes angolanos, que subiu cerca de 10 USD, tendo passado de 107,9 USD/quilate para 117,8 USD, segundo os cálculos do Expansão.

No que diz respeito às exportações, no ano passado Angola comercializou 17,2 milhões de quilates, valor que representa um acréscimo de 68,6% relativamente a 2024, "não obstante as adversidades de mercado verificadas, marcadas por mudanças estruturais constantes e alterações nas preferências dos consumidores finais", explicou a Sodiam no início de Janeiro.

Para além das mudanças nos padrões de consumo (provocadas por preocupações ambientais, no caso dos diamantes sintéticos), o ataque da actual administração norte-americana ao sistema de comércio internacional também teve efeitos directos no sector dos diamantes.

Em Agosto do ano passado, por exemplo, os EUA impuseram tarifas de 50% sobre as exportações da Índia, país que responde por 90% da lapidação de diamantes no mundo. Esta medida levou o governo do Botsuana, que é o segundo maior produtor de diamantes do mundo (a seguir à Rússia) a reagir e a alertar para o efeito negativo na recuperação da sua produção de diamantes, realidade que originou um segundo ano de recessão económica.

Entretanto, a tarifa foi reajustada para 18%, mas a instabilidade comercial tem efeitos directos na actividade económica. No caso de Angola, o aumento dos volumes comercializados e da receita obtida "resultou de uma gestão de vendas mais eficiente", face à decisão estratégica de não constituição de stocks, contrariamente ao ocorrido em 2024, sobretudo na mina de Catoca. Naquele ano, com os preços por quilate ainda mais baixos do que em 2025, Catoca tinha guardados 4,6 milhões de quilates, depois de em 2023 registar apenas 380 mil quilates em stock, de acordo com o último relatório de gestão da Endiama, referente a 2024.

Ainda que sem impacto operacional, 2025 também ficou marcado por mudanças profundas na estrutura accionista da Sociedade Mineira de Catoca, com a saída de um parceiro estratégico tradicional do sector dos diamantes em Angola, os russos da Alrosa, e a entrada da Taadeen Investment, uma subsidiária do Fundo Soberano de Omã, que detém agora 41% do capital de Catoca. Os restantes 59% estão em posse da Endiama. No caso da Sociedade Mineira do Luele, que é a segunda maior mina do mundo em exploração a céu aberto, implementada em 105 hectares junto à aldeia de Cafula, na província da Lunda Sul, a Taadeen possui uma participação de 49% no capital social da empresa, enquanto a Endiama detém 44%. As outras participações estão distribuídas entre a Reform (4%), a Caixa de Catoca - Associação Mutualista (2%) e o Instituto Geológico de Angola (IGEO) com 1%.

(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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