Ser jovem proprietário em Luanda
Na capital os alugueres são extremamente altos. Um "pardieiro" sem boa ventilação e maus acessos pode alcançar um valor exorbitante. Para não falar dos meses de caução e das condições impostas pelos proprietários dos imóveis aos inquilinos que muitas vezes são irrealizáveis
Ser jovem proprietário de casa própria em Luanda, adquirida graças ao ordenado economizado é uma excepção e até um privilégio. As casas são tão caras que muitos jovens na casa dos 30 anos ainda não se emanciparam vivendo com os pais ou com os irmãos. Arrendar casa é outra opção, mas ser jovem em Luanda é muito complicado.
Não é como, por exemplo, na Dinamarca que muito cedo se sai de casa dos pais. Lá as casas são igualmente caras, mas existem medidas mais favoráveis com o fim de evitar que se chegue aos 30 a partilhar casa com os pais. Faltam em Luanda políticas de habitação realistas que permitam aos jovens a sua emancipação.
Na capital os alugueres são extremamente altos. Um "pardieiro" sem boa ventilação e maus acessos pode alcançar um valor exorbitante. Para não falar dos meses de caução e das condições impostas pelos proprietários dos imóveis aos inquilinos que muitas vezes são irrealizáveis. Tendo em conta os baixos salários usufruídos pela maioria dos jovens em Luanda alugar um andar, ainda que pequeno, é difícil e por isso muitas vezes se opta por partilhar o espaço entre vários.
Com o aumento de pessoas deslocadas do interior do país para a capital sentiu-se a necessidade de construir mais imóveis, mas infelizmente a preços impensáveis para a maioria da população. Muitas dessas construções terminam sem terem os devidos acessos rodoviários (estradas alcatroadas). Quanto à faixa desfavorecida da população de Luanda, que é a maioritária, essa acaba por ter de se instalar em barracas, que não param de crescer, em condições sanitárias extremamente precárias.
A Luanda dos ricos, com casa própria e moradia no Mussulo, contrasta com a Luanda vivida por aqueles que se deslocam dos bairros num ritmo diário durante horas usando múltiplos táxis colectivos até chegarem ao trabalho, por vezes pago abaixo daquilo que seria justo, mas que, ainda assim, é muito para aqueles que nada têm.
A instabilidade habitacional provoca ansiedade junto dos jovens moradores de Luanda. O não saber se vão ter casa um dia leva a não decidirem sobre o aumento da família. O não poder acomodar mais do que dois num espaço pequeno impede, evidentemente, que se construa um futuro em conjunto para muitos.
Os salários baixos, o alto custo de vida e o acesso difícil à habitação são factores que condicionam o futuro desta geração de jovens angolanos que cada vez mais tende a procurar uma solução não só fora da sua Luanda, mas também além-fronteiras.













